
Há peças de teatro que deveriam ser devidamente divulgadas pelos
media, eles que se ocupam tanto tempo (demasiado tempo!) com polémicas que não interessam a ninguém. Faz-se publicidade a tanta coisa desinteressante e o que poderia interessar, não divulgam. Faço eu hoje esse papel de divulgação.
Vai estar, novamente, em cena no Auditório Carlos Paredes em Benfica, a peça Listen To Me II. Tive o prazer de ver a peça quando esteve em cena no Teatroesfera em Queluz. É uma peça que representa a vida de diferentes pessoas, em diversos momentos e estados, em diferentes ambientes, transmitindo variadíssimas sensações. O grupo de teatro Pequeno Palco de Lisboa é aqui encenado pelo actor Rui Luís Brás.

A peça é constituída por diversos monólogos, uns hilariantes, outros mais sérios, outros completamente tresloucados, mas todos eles muito interessantes, ou pelo tema abordado ou pela capacidade de representação dos actores. Só para dar alguns exemplos. Temos um rapaz que trai a sua miúda e depois lhe tenta explicar a situação pelo telefone, temos uma miúda completamente alucinada que tem desejos de se tornar numa suicida bombista, temos outro rapaz bem aprumado que é viciado na droga, uma senhora que desabafa com a sua psicóloga o que lhe vai na alma, um padre que de santo não tem nada (de ir às lágrimas!), uma noiva que adora o namorado ignorando as suas preferências sexuais (ouvi-la cantar “Sou tão gira!” fez a plateia ir ao delírio, porque seria?!?), uma africana que fez de uma auto-estrada a sua horta, uma senhora de idade que vai fugir de casa porque conheceu alguém num
chat online, uma tia muito “queque” que passa a vida ao telemóvel, uma madeirense que sabe demasiado e que desabafa tudo colocando mensagens numa
garrafuinha, entre outras situações.
A sala era muito acolhedora, pequena, onde temos um contacto visual com os actores em cima de palco que não temos nalgumas salas maiores. Jovens actores muito promissores.
O Rui Luís Brás estava lá a receber as pessoas com um grande sorriso, uma simpatia. Parecia que nos estava a receber em sua casa. Eu quase que me sentia em casa. Até porque a noite esteve sempre repleta de estrelas cintilantes, já nossas conhecidas, onde reinou a boa disposição, muita gargalhada (a famosa gargalhada!), muitos sorrisos…
Lá fora o tempo estava uma lástima, chuva e frio, mas das portas do teatro para dentro o cenário era outro, completamente diferente. A companhia do melhor que pode existir. É sempre uma honra estar entre pessoas que nos fazem sentir tão bem.
Resumido e baralhando, foi uma noite que pareceu muito “piquinina”, por ter sido tão agradável. ;)
Muito obrigada, meus queridos!